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Fandangueiros de Paranaguá se apresentam em Portugal pela primeira vez

24 de set.
3 min de leitura

Representantes dos grupos de fandango Mestre Eugênio e Mandicuera, de Paranaguá, vão viajar a Portugal em novembro para apresentar manifestações da cultura caiçara e conhecer locais relacionados às origens da musicalidade que influenciou o fandango no Brasil. A viagem será realizada entre os dias 5 e 16 de novembro e integra um projeto desenvolvido pelos dois grupos, com patrocínio da Itaipu Binacional.


A participação dos artistas parnanguaras ocorre após convite formal do professor Jorge Manuel de Mansilha Castro Ribeiro, da Universidade de Aveiro, responsável científico pelo projeto Atlântico Sensível (AtlaS), voltado à memória e à mediação de instrumentos e práticas musicais entre comunidades interligadas.


Será a terceira viagem de Aorélio Domingues a Portugal, enquanto os outros cinco integrantes do grupo conhecerão o país pela primeira vez. Ao longo do roteiro, os artistas passarão por Lisboa, Alenquer, Amarante, Castelo Branco, Penha Garcia e Aveiro.



Um dos destaques será o encontro entre a viola caiçara e a viola beiroa, instrumento que, segundo Aorélio Domingues, está relacionado à origem de uma das primeiras violas brasileiras. Em Castelo Branco, o grupo conhecerá iniciativas ligadas à preservação, fabricação artesanal e ensino da viola beiroa.


Em Amarante, os fandangueiros visitarão o local onde está enterrado São Gonçalo de Amarante, sacerdote e frade dominicano português considerado padroeiro dos violeiros no Brasil.

“A gente vai para Portugal levar a viola, a musicalidade, em homenagem a São Gonçalo de Amarante. A gente quer fazer o retorno dessa cultura portuguesa que veio pra cá e segue sobrevivendo, se transformando aqui”, afirma Aorélio.

Apresentação em Aveiro


A principal atividade da viagem será realizada no dia 13 de novembro, na Universidade de Aveiro, na cidade de Aveiro. O grupo fará uma palestra e uma apresentação de fandango, que também reunirá outras manifestações da cultura popular. A programação incluirá a Folia do Divino, o Boi de Mamão, o Terço Cantado em latim e a Folia de Reis.


Antes disso, o grupo passará por Alenquer, onde, segundo o projeto, está registrado o primeiro relato das Folias do Divino Espírito Santo, de 1322.


“A gente vai para Alenquer tocar a Folia do Divino na igreja onde tudo começou e segue edificada. É uma musicalidade da era medieval, que a gente toca de forma espontânea até hoje aqui no Paraná e em São Paulo”, explica Domingues.

Em Penha Garcia, a programação inclui o contato com mulheres adufeiras responsáveis pela produção dos adufos, instrumentos de origem árabe semelhantes ao pandeiro, mas com o couro menos esticado.



Viagem vai virar documentário


Além das apresentações e visitas previstas no roteiro, toda a viagem será registrada para a produção de um documentário.

A proposta é registrar o intercâmbio entre as manifestações culturais do litoral paranaense e as tradições portuguesas relacionadas à formação da musicalidade brasileira.


“A expectativa é gigantesca, estamos muito felizes em levar nossa cultura para outro país”, afirma o fandangueiro Felipe Orlandino.


Fandango caiçara


O fandango caiçara é uma manifestação cultural tradicional do litoral, que reúne música, dança, canto, poesia e convivência comunitária. No Paraná, a tradição está presente especialmente nas comunidades do litoral.


Em fevereiro de 2026, a Festa Nacional do Fandango Caiçara de Paranaguá foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado. Por meio do Projeto de Lei 508/2025, a festa também foi incluída no calendário oficial de eventos.


A viagem a Portugal pretende aproximar essa tradição das referências culturais que influenciaram parte da musicalidade presente no fandango, estabelecendo uma relação entre as manifestações preservadas no litoral brasileiro e suas matrizes históricas.



Outras manifestações


Além do fandango, os artistas levarão para Portugal outras expressões da cultura popular.

A Folia do Divino é apresentada no projeto como uma tradição de origem antiga, mantida nas comunidades caiçaras por meio de bandeiras, cantos, visitas às casas, levantamento do mastro e compartilhamento de alimentos.


O Boi de Mamão, manifestação presente no Sul do Brasil, também fará parte da apresentação. Já a Folia de Reis, tradicionalmente realizada entre 24 de dezembro e 6 de janeiro, completa o conjunto de manifestações que serão apresentadas durante a viagem.

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